quinta-feira, 20 de julho de 2017

Octávio Machado

Só quem nunca se debruçou pelo percurso de Octávio Machado pelo futebol português é que ficará surpreendido pela sua última entrevista dada.
Octávio, o palmelão, tem essa característica que muitas vezes deixa revelar. Tem uma apetência enorme pelos holofotes mediáticos e uma atracção fatal por microfones e canetas de jornalista. Por vezes o Palmelão, tal é a fome com que acorre à "arca" jornalística, nem se dá conta da figura rídicula que nos vai proporcionando. Todos se lembrarão dos "Bin-Ladens do futebol" ou do "Vocês sabem do que estou a falar". Uma mão cheia de nada, vento, vácuo, vazio. Um "agarrem-me senão vou-me a ele!". 
Octávio Machado tem um currículo invejável no futebol português, desde que começou como treinador adjunto do porto, passando por ser treinador principal da nossa equipa e outra vez do porto. Não tenho dúvidas que é alguém que conhece bem os meandros do nosso futebol, os seus pontos fulcrais, o relvado e os bastidores. Por isso é que Jorge Jesus trouxe-o para a estrutura do nosso futebol, na tentativa de nos fortalecer com alguém que entendia estar em boas condições para nos contrapor ao benfica. Octávio nunca teve a incubência de ser um manager do futebol profissional do Sporting. A missão dele era mais subterrânia, mais táctica. De um modo geral, olhando para os resultados obtidos, neste momento estou inclinado a considerar que a sua entrada no nosso futebol foi um falhanço. Continuámos expostos e em momentos cruciais da época fomos demasiado "passarinhos", num futebol dominado por aves de rapina. Provavelmente saberemos mais nos próximos dias, mas para já é este o juízo que a História faz sobre a última passagem do Palmelão pelo nosso clube.
O resto é mais do mesmo. Suceder-se-ão as entrevistas de Octávio ao jornalixo nacional, as parangonas serão aquelas que todos sabemos e, enfim, resta-nos olhar para isso e encolher os ombros, esperando que este tipo de erros de casting não se repitam.
A última entrevista de Octávio está, no final de contas, ao nível da escolha do pior onze com quem o Simulão Sabrosa jogou. Ainda nem sequer arrefeceu a cadeira do Palmelão em Alvalade e já começou este a atacar, insultar e humilhar os seus ex-colegas de clube. No fim de contas, quem é verdadeiramente enxolhado é quem encarna esta triste figura, de falta de ética, moral e vergonha na cara. Espero sinceramente que Bruno de Carvalho continue na sua postura low-profile perante a comunicação social e, se for questionado ou interpelado para comentar a última entrevista do Palmelão ao CM, diga apenas que está grato pelo excelente trabalho prestado pelo ex-dirigente  em prol do nosso clube. E lhe deseje todo o sucesso profissional e pessoal. 

sábado, 15 de julho de 2017

Histeria Colectiva

As redes sociais tem essa coisa extraordinária de seguirmos em tempo real as emoções de milhares de cidadãos anónimos por esse mundo fora. É uma realidade à qual ainda nos estamos a adaptar, pois toda ela é uma novidade para a Humanidade. Ocorre um atentado numa qualquer cidade europeia, levanta-se logo uma onda de "Je suis quelque chose". Um político é apanhado em esquemas manhosos, logo a seguir todos os políticos são corruptos, a democracia é uma treta e no tempo da velha senhora é que era. O nosso clube vence um jogo de treino numa aldeola alpina, somos os maiores, ninguém nos pára e a malta da Champions que se prepare, pois somos sérios candidatos a palmá-la. No dia seguinte perdemos outro jogo na aldeola ao lado e já não valemos um chavo, este ano é para lutarmos com o Braga pelo terceiro lugar e se não nos pomos a pau nem à Europa vamos.
Senhoras e senhores, bem-vindos ao admirável mundo novo das redes sociais, onde tudo é efémero, histérico, emotivo, e outras sensações igualmente excitantes!!!
É um facto que contra o Fenerbahçe fizemos um jogo interessante, com boas movimentações, entendimentos entre jogadores com resultado final positivo. Também é outro facto que contra o Valência fomos uma equipa pesada, cansada, sem cabeça para produzir jogadas de perigo, cujo resultado final apenas espelha a diferença de forma momentânea das equipas, a nossa em construção, face a um Valência mais entrosado. É outro facto que os principais objectivos da pré-época são o de criar rotinas e entrosamentos entre quem está e quem chega, bem como preparar a parte física para 10 meses de intenso futebol. O resultado, por mais que ninguém queira perder a feijões, é neste aspecto particular o menos importante. 
O que assisti, e ainda venho assistindo desde que terminou este último jogo, é a uma histeria colectiva sportinguista. Ou porque o treinador levou 30 e jogam 18, ou porque não gosta do Saramago e humilha o outro Chico-esperto, ou é o Chico que se anda a armar em esperto a ler Saramago nos treinos, o Piscinni que afinal já é pior que o Schelotto, o Matheus Oliveira ainda agora chegou mas já é um perneta, o Paulo Oliveira era o novo André Cruz, etc. etc.
Sobre a telenovela Francisco Geraldes já dei a minha opinião no último post e mantenho-a. Por muito gozo que me dê ver o jogador a ler Saramago nas horas vagas, não é por ele ter bom gosto literário que faz dele um grande jogador. Continuo, e insisto, a dizer que é tão importante o jogo com o Valência como o treino de hoje ou de amanhã. Pelo amor da santa, não me venham com a lenga-lenga de que o JJ embirra com ele e com os miúdos da formação e - esta é brilhante!!!! - está a fazer aqui o mesmo que fez no benfica... Ou seja, afinal os putos do benfica eram bons e a cartilha de que o Bernardo ia ser testado a defesa esquerdo era verdadeira... Meus caros, o JJ lançou João Mário (era o Chico do tempo do Marco Silva, que preferia o André Martins ao pantufas), Rúben Semedo, Gelson Martins, Podence, está a lançar o Iuri... se o Chico for mesmo bom, vai ter o seu lugar no plantel. E, já agora, também o Gauld... 
Quanto ao Paulo Oliveira, o novo André Cruz ou Maldini, tenho-o em excelente conta como profissional e pessoa. Falta-lhe o que tem o Rúben Semedo, capacidade de choque, tamanho, saída de bola (a assistência ao Montero no Jamor é a excepção que confirma a regra, não me lixem!). Mas tem aquilo que falta ao Rúben, que é cabeça. Quando o Paulo chegou a Alvalade fiquei com a esperança que conseguisse evoluir na capacidade física e no jogo de pés. Infelizmente ele estagnou e não evoluiu de promessa a certeza. Ou ficava no plantel como uma espécie de bombeiro de serviço, o que para alguém da sua idade era algo redutor, ou então estava na hora de procurar novos desafios e uma oportunidade fora de portas. Ou seja, o nosso Paulo Oliveira, que parece-me ser um jogador mediano, uma espécie de Beto (o central), terá agora a oportunidade de ter o seu momento Carriço, de evoluir quando já ninguém acreditava nisso. Valha-nos a consolação de que os valores que se falam (4 M€) serem muito superiores aos 750 mil de Carriço. Além de se providenciar por conseguir lucro numa futura transferência.
Meus amigos sportinguistas, por isso vamos ter alguma calma, paciência, acreditar em quem sabe (mesmo que seja pouco, sempre saberá um pouco mais do que nós) e quando for o jogo de apresentação ou o troféu 5 violinos falaremos outra vez da qualidade (ou falta dela) da nossa equipa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Francisco Geraldes

Antes que me comecem a atirar pedras e a cuspirem-me em cima, aviso já que espero enganar-me redondamente naquilo que vou escrever.
Francisco de Oliveira Geraldes, nascido em Lisboa a 18-04-1995 (22 anos), pertence ao Sporting Clube de Portugal desde a época de 2003/2004. de onde apenas saiu na época passada para representar o Moreirense em regime de empréstimo. 1,75 metros de altura, 65 Kg de peso, destro, participou em quatro jogos pela equipa principal na época passada, tendo também participado no primeiro jogo amigável da presente temporada. Tem contrato até Junho de 2021 (*).
Francisco Geraldes, o "Chico" como é carinhosamente tratado pelos sportinguistas, é um bom e humilde rapaz da classe média lisboeta. Chegou a ser fotografado a viajar de metro do estádio para casa, após um jogo pela equipa principal no último campeonato, a ler um livro ou a ouvir calmamente música. É participativo nas redes sociais, em amenos despiques com outros colegas da nossa cantera, como Podence ou Palhinha. Ficou famoso um tweet seu onde corrige o português de um insulto produzido por um adepto rival.
O Chico é aquele protótipo de jogador-ídolo que todos sonhamos para o nosso clube: sportinguista dos sete costados, com uma longa história (14 anos) de defesa em campo das nossas cores, um desportista dentro de campo e um gentleman fora das quatro linhas. Lembra-me aquelas lendas dos anos 50, 60 ou 70 de quem ouvimos falar, que por tuta e meia jogavam no seu clube de coração e sempre com e por amor à camisola. O seu bigode e pêra encerram um quadro romântico que nos leva para um futebol que infelizmente já não existe e de que só conhecemos por ouvir falar aqueles velhos adeptos lá da tasca, do tempo que "assim é que era".
Não surpreende por isso que pela blogosfera leonina, seja em posts ou em comentários, o Chico desperte tanto entusiasmo e empatia. Em sentido oposto ao treinador, vilipendiado por se recusar em pôr a jogar o prodígio da nossa Academia. Sim, o treinador que não aposta nos jogadores portugueses, dos Manuéis desta vida, que tem de nascer 10 vezes para serem bons ou então vão para laterais esquerdos adaptados.
Nós, sportinguistas, temos de nos decidir de uma vez por todas: afinal o JJ não apostava na formação do Seixal porque ele não gosta de miúdos ou porque eles não eram afinal assim tão bons? Olhando para as fornadas de "golden boys" que vieram de lá, quantos andam agora em clubes de topo? Cavaleiro? Cancelo? O Gonçalo Guedes e o André Gomes até andam, mas... a coisa não lhes tem corrido bem. Bernardo Silva? Sim, provavelmente o melhor do lote. Mas quando olho para este jogador acho que falta ali qualquer coisa. É bom, está anos luz à frente do André Gomes, mas mesmo assim acho que lhe falta intensidade. Estaria na altura apto a ser titular de caras no benfica?
Jorge Jesus, desde que chegou ao Sporting, foi apostando no que havia aqui para se apostar. Não teve problemas em lançar Gelson Martins ou o Rúben Semedo (enquanto este teve cabecinha). Deu minutos a Podence, foi lançando Palhinha e o próprio Chico também teve as suas oportunidades. Foram poucas, bem sei. Mas JJ trabalha com eles diariamente. É teimoso mas também quer ganhar. E, aqui chegados, pergunto eu: será que o nosso Chico está assim tão preparado para a equipa principal como nós achamos ou queríamos que estivesse?
No último campeonato europeu de sub-21, Rui Jorge também deixou-o fora do onze, preterindo-o a outros como, por exemplo, Bruno Fernandes. Bem sei que o Rui Jorge foi algo pressionado para fazer algumas escolhas, como a inclusão do Bob Marley da Musgueira, mas... Rui Jorge também quer ganhar, como Fernando Santos quis ganhar no ano passado. Da mesma forma que o engenheiro teve de se render às evidências e pôs os melhores a jogar, também Rui Jorge fez o mesmo.
Lembro-me que aqui há uns 2 ou 3 anos, andavam os sportinguistas a discutir o mesmo sobre outro produto da nossa academia, de seu nome Wallyson Mallmann. Todos achávamos que era a última Coca-cola do deserto, discorriamos sobre a sua não utilização pela equipa principal e questionavamos as opções técnicas do treinador à época. Wallyson teve as suas oportunidades, mas não convenceu. Acabou por sair para outras paragens e soube agora que regressou a Portugal, ao Moreirense. Teve uma lesão grave quando ainda estava em França, é certo, mas hoje parece claro que lhe faltava ainda algo mais para ser titular do Sporting.
Hoje olho para Francisco Geraldes e sinceramente pergunto-me se não andarão os sportinguistas também iludidos como no passado andámos com Wallyson. Também ponho Ryan Gauld na mesma equação. Será o nosso querido "Chico" jogador para o nosso Sporting, aquele que quer lutar até ao fim pela vitória do campeonato, que não tropece estupidamente nas taças internas e faça uma boa figura na Liga dos Campeões? Terá o Chico nervos de aço para ultrapassar os primeiros assobios em Alvalade, capacidade física para jogar durante o inverno nos batatais de Portugal, coração para enfrentar arbitragens habilidosas sem desmotivar e cabeça fria para não se melindrar perante os berros histéricos do JJ? 
Infelizmente o futebol português não é como ler um livro no metro à hora de ponta. É mais como andar aos pontapés e trambolhões no meio de uma poça de lama. Não basta saber falar bem português, às vezes é preciso entrar em campo de faca nos dentes. E isso, como todos sabemos, não é para todos.

(*) - Dados consultados aqui, no ZeroZero.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Regressos

Após uma breve paragem para recuperar baterias, eis que regressei a esta bela vidinha de opinar por tudo e por nada. Mas não foi o único regresso. Houve outros mais interessantes.

1) Rola a bola!!!
Primeiro jogo da época, ainda em ritmo de futebol de praia. Fora o resultado, que não é o mais importante destes primeiros jogos, foi já possível assitir a algumas estreias. Gostei do Petrovic, Leonardo Ruiz e Gelson Dala. Nem tanto do Matheus Oliveira ou do Battaglia. Vamos esperar pelos jogos na Suiça para vermos em acção os reforços que mais prometem esta época, como Doumbia, Coentrão ou Mathieu. Quanto aos jogadores que estiveram na Rússia, aguardo também com espectativa a confirmação de quem fica ou vai. Dou já Adrien como perdido e William também a sair. Gelson parece-me ainda cedo para sair e acredito que Rui Patrício ainda fique pelo menos até ao Mundial de 2018.

2) Fábio Coentrão
O regresso do lateral esquerdo a Portugal fez correr muita tinta pela pasquinada desportiva aqui do burgo. Seja porque afinal Coentrão é um fumador tuberculoso, um perneta aleijado crónico ou um barrigudo, tudo serviu para digerir mais um regresso de um filho-querido-que-afinal-já-não-é-querido. Depois da novela Markovic, veio Coentrão. Tirando o facto de estar apreensivo com o actual estado físico e anímico do jogador (isso sim, é que é importante), não pude deixar de me rir com o espernear do Estado Lampiânico, que se deu ao trabalho de mandar Javi Garcia gritar lá de longe que em Portugal só o benfas... O trabalho que esta malta tem, plantar primeiro notícias para depois as desmentirem com pompa e circunstância. 

3) Bruno de Carvalho
Regressou mas pela mão da consagrada estação televisiva Bloomberg, especialista em economia e finanças. Sim, bem sabemos que essa entrevista não tem o impacto mundial da capa da Bola e do Record sobre as supervendas do benfas ou da Universidade das Bocas de Piano, mas é o que se arranja. Felizmente lá fora somos melhor tratados do que cá dentro. Noto também com satisfação que o nosso presidente tem estado mais comedido nas palavras. Se é porque está em lua de mel ou se é uma mudança de postura já assumida, só tenho a registar que tal se mantenha. Precisamos do nosso presidente focado na dificil missão de nos catapultar para a frente do futebol nacional, sem estar diariamente a ser cozinhado em lume brando na praça pública. 

4) Jorge Jesus
Faço aqui as mesmas palavras que fiz com o presidente. Menos conversa e mais trabalho. Tenho a certeza que JJ é o melhor treinador do campeonato e é nisso que se deve concentrar: em treinar. Deixar as conversas, as lenga-lengas e os mind-games em casa.

5) O Estado Lampiânico
Agitado e ainda meio zonzo das constantes bicadas que tem levado ao longo da telenovela dos e-mails, mostrando que elas não matam mas moem, a propaganda do clube do povo parece meio afectada nestes dias. A reacção à contratação de Coentrão foi pífia e aquela coisa do Javi Garcia fez mais rir os sportinguistas do que irritá-los. A notícia do CM de que BdC e JJ estariam zangados por causa da não contratação de Edgar Ié também é mais para rir do que para ser levada a sério. É certo que nos telejornais e na imprensa dita generalista ainda há muita parcimónia e paninho quente para tratar dos últimos escândalos do nosso futebol, mas as coisas lá se vão falando. E acredito que até começar o campeonato ainda teremos mais algumas pérolas para apreciar.

6) O calendário para 2017/2018
Parece-me que não nos podemos queixar do calendário para a próxima época. É certo que temos de jogar com todos em todos os estádios, mas não dar importância ao encadeamento dos jogos é uma estupidez. Com a pré-eliminatória da LC para ser jogada, obviamente que é diferente começar o campeonato em Aves do que, por exemplo, em Braga ou Guimarães. Até à oitava jornada, quando jogamos em casa com o Porto, temos 6 jogos acessíveis e uma deslocação dificil a Guimarães. É importante chegar a esse jogo com 21 pontos, para em caso de vitória com os nossos rivais do norte, possamos assim embalar na classificação. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tâmaras do Estado Lampiânico

Uma coisa é dizer aquilo que achamos ser assim. Outra coisa é dizermos o que realmente é. E quando aquilo que achamos se vai confirmando, o nosso ego sente-se mais elevado. Hoje, eu e mais uns quanto sportinguistas, estamos assim, de ego bem levantado.
Em primeiro lugar, o aperitivo: o nosso pavilhão. Falha incrível na construção do novo estádio, não se ter logo previsto a construção de uma casa para as nossas modalidades de pavilhão, devido a situações que todos sabemos quais foram e que por isso não irei perder tempo a enumerar. Com 13 anos de atraso foi finalmente suprimido este colossal erro, bem como o outro erro menor, aquele de deixar esquecida e a ganhar pó a estátua do leão, finalmente exposta num lugar digno.
Depois veio a refeição, estragada pelo meio com uma derrota no futsal. O prato principal, servido pelo porto canal, revela-nos mais um pouco sobre onde chegou o polvo. SMSs do presidente da FPF interceptadas e guardadas por alguém a mando do presidente da assembleia geral da Liga, para posterior envio a Pedro Guerra. O segundo prato parecia suculento, versando sobre a arte de bem fazer pressão sobre o conselho de disciplina. Mas a vista do prato foi muito melhor que o seu sabor insosso, não saindo daqui nada de espetacular face ao que já foi revelado. E ao que falta revelar.
Por fim, não há jantar que não acabe numa bela sobremesa. Como estamos às portas do verão, o que sabe mesmo bem é fruta, para não perdermos a linha antes de ir à praia. E que fruta nos saiu ontem! Uma fruta especialmente confeccionada pelo Estado Lampiânico, fazendo jus às suas origens no deserto, onde o Kadhafi dos pneus fez a sua primeira fortuna. Nada mais, nada menos que umas deliciosas, suculentas, vermelhas e doces tâmaras! E que tãmaras são essas? Pois bem, relatos minuciosos sobre a vida íntima dos árbitros, alguns até apimentados com fotografias da amante. E se achamos que essas tãmaras sabem a pouco, parece que por 400 euros podemos comer mais algumas...
O que foi revelado ontem demonstra que a tese do lume brando continua a ser seguida por Francico J. Marques. Todas as semanas vai saindo mais qualquer coisa, mais grave que na anterior, como que levantando o véu um pouquinho mais de cada vez. Neste momento não há lampião que não trema como varas verdes cada vez que é anunciado mais um episódio das conversas de FJM. E não há sportinguista que não se ria com o que vai sendo revelado, principalmente quando nos lembramos daquele vizinho lampião que no elevador atira-nos sempre com aquela "Ah e tal, quando o Bruno sair de lá vão ver que é pior que o Vale e Azevedo!".
Que o EL tem o futebol todo na mão, não era surpresa nenhuma. Mas sinceramente que não esperava ver o EL utilizar as mesmas armas usadas pelo Sistema. Pensei que putaria e chantagem já estava fora de moda, primeiro pela diferenciação que o EL queria fazer, segundo pelos próprios árbitros, que pensei terem ficado escaldados após a fruta e o café com leite. Por um lado era fácil de mais, mas por outro lado é de uma eficácia terrível. É a melhor forma de ter ascendente sobre alguém, usar episódios da vida íntima como forma de chantagem. A simplicidade como estas coisas são feitas continua a surpreender-me.
E o mundo jornalístico, como fica? O que foi ontem divulgado é demasiado grave para continuarmos a ouvir desculpas como as escutadas nas últimas semanas. Actualmente a coisa já não está se o e-mail queria dizer isto ou aquilo. Foram feitas acusações muito sérias e gravíssimas, algumas roçando o crime. A ser verdade que foram interceptadas as mensagens de Fernando Gomes, que um clube espia e tem ficheiros detalhados sobre a vida privada de árbitros, bem como pagará umas tâmaras a quem lhe consiga servir os interesses, estamos perante um caso de adulteração de resultados desportivos ao nível do Apito Dourado. Quer-me parecer que as revelações continuarão a surgir nas próximas semanas, pelo que é expectável que a gravidade do Apito Abençoado ultrapasse a do Dourado.
Enquanto aguardo o próximo número de contorcionismo que o Al-Carnidão divulgará pelos seus fieis Ayatolas, deixo-vos esta curiosidade: hoje ainda não escutei conversas sobre futebol na rua, nos transportes públicos, no café ou no trabalho. Impera um silêncio confrangedor, intercalado por rostos preocupados e sôfregos. O que é revelador.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A construção do próximo plantel e o novo director desportivo

Enquanto o Dr. Varandas vai esperando pelos resultados finais dos testes médicos ao Fábio Coentrão, vou fazer um apanhado ao actual estado de preparação do nosso plantel principal.
Com a chegada de Coentrão, creio que o lado esquerdo da nossa defesa fica fechado. Não é previsível que venha mais algum jogador, pelo menos daqueles de renome, para ocupar a posição. A não ser que Fábio Coentrão tenha uma recaída até final do mês ou que durante a primeira volta se revele a sua "markovicção", o lado esquerdo ficará a ele entregue, com Marvin à espreita. Duvido que nesse cenário Jonathan fique, pelo que o seu futuro será provavelmente um retorno à Argentina.
Na zona central falta o 4.º central para fechar o sector. Mathieu ou Dória são os principais candidatos, para uma vaga que certamente se abrirá com a saída de Douglas ou Paulo Oliveira. No lado direito da defesa residem as minhas dúvidas. Não acho Schelotto jogador para o Sporting e tenho dúvidas da utilidade de Picinni. Preferia um nome mais sonante (e mais caro) mas aqui terei de esperar para ver. 
No meio-campo residem neste momento as nossas maiores dúvidas. Desde logo porque os nossos jogadores mais apetecíveis jogam aí. Não me parece possível que William e Adrien continuem no nosso plantel. O primeiro tem admiradores em Inglaterra dispostos a perder a cabeça para o contratar, o segundo chegou àquela idade limite para fazer o contrato da sua vida. Gostaria que Adrien continuasse no Sporting como capitão, mas reconheço que o jogador também tenha as suas expectativas de ir para um campeonato mais competitivo. E Inglaterra é uma perdição. Para os seus lugares existem algumas alternativas interessantes. Bataglia parece-me mais indicado para substituir Adrien, mas também pode dar um bom trinco. Matheus Oliveira é uma incógnita, pois também tenho aqui dúvidas de que consiga se impôr numa equipa em luta pelo campeonato. Bruno Fernandes, que hoje foi referido como estando a caminho do Sporting, é um jogador que me agrada. Teve um percurso interessante em Itália, está a dar nas vistas no europeu sub-21 e tem muita margem de progressão. Apesar do preço algo elevado para um jogador de 22 anos (fala-se em 9 M€), penso que será uma boa aquisição tendo em vista uma possível saída de Adrien. Só com o cenário da saída do capitão é que concebo o cenário de contratarmos um jogador por 9 M€, pois com esse preço tem de ser titular de caras. Palhinha e Geraldes deverão continuar no plantel mas não acredito que consigam ser titulares. Mais o segundo que o primeiro, continuarão a evoluir na equipa principal com chamadas cirúrgicas à equipa principal, podendo ser usados em rotação com os jogadores titulares.
Nas alas, continuamos à procura de um companheiro para Gelson Martins. Iuri Medeiros será uma boa alternativa mas dúvido que fiquemos por aqui. Certamente que iremos buscar mais alguém para esta posição, muito provavelmente à América do Sul. Pity Martinez é o nome que mais me entusiasma, mas também é o mais caro (cerca de 15 M€). Depois da novela Coentrão, aposto que a próxima novela se desenrolará em torno no próximo ala da equipa. E veremos se não teremos de ir buscar mais um ala, pois Gelson Martins também está a ser cobiçado lá fora.
Na frente de ataque, mantendo-se como se prevê Bas Dost, subindo Gelson Dala à equipa principal e com a recuperação de Spalvis, pergunto-me se precisamos de investir nesta posição. Salvo uma pré-época desastrosa do jovem angolano ou uma inadaptabilidade gritante de Spalvis, os três poderão ser suficientes para o nosso ataque. Juntemos também Leonardo Ruiz, que na B mostrou serviço, bem como Ronaldo Tavares, uma das esperanças da nossa academia. Depois dos barretes André balada, Castagnos e Teo Gloria-a-Dios Gutierrez, espero que haja bom senso da nossa direcção para não andarmos a esbanjar euros em jogadores sem classe ou qualidade para essa zona do terreno.
Na baliza Rui Patrício e Beto chegam para as encomendas. Caso o nosso Rui sair, o que também é provavel, via com bons olhos a contratação de Miguel Silva ao Vitória de Guimarães. É jovem, tem potencial e qualidade suficiente para singrar cá dentro. Já lá fora...
Por fim a posição não menos importante de director desportivo. Com a saída de Octávio Machado abre-se a porta para uma das posições mais importantes do nosso futebol, precisamente o elo de ligação entre a equipa técnica e a direcção. A experiência com Octávio não foi má, mas também não foi propriamente positiva. Pelo menos não acrescentou nada de especial ao clube. Foi mais uma voz a falar, não tendo sido capaz de resguardar JJ nem BdC. A pessoa ideal para esse lugar, além de ter de perceber de futebol e capacidade para mobilizar e blindar o balneário, também ter de ser alguém capaz de superar os egos do treinador e presidente do Sporting. E tem que ser um grande sportinguista. Oceano, Beto, Manuel Fernandes, Fernando Mendes, Paulo Bento, etc., são nomes elegíveis para esse lugar, mas que não possuem todos os atributos que referi atrás. Será Bruno de Carvalho capaz de encontrar aqui a última coca-cola do deserto?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desmascarar a cartilha

Decidi escrever este texto antes da reacção oficial do Estado Lampiânico ao assunto dos e-mails, pois acredito que dali não há nada a esperar. Muito provavelmente vão debitar uma série de insinuações, mãos cheias de areia para os nossos olhos, e quase que aposto que o grande alvo visado será o nosso presidente. Porquê? Porque é a única forma - desesperada - que terão para tentar afastar os holofotes mediáticos, sabendo-se de antemão a apetência que a comunicação social tem em malhar no Bruno. A nossa sorte é que terça-feira é já daqui a 4 dias...
Entretanto o Estado Lampiânico lá começou a reagir no seu modo oficioso, através de jornalistas "isentos" e seus paineleiros. Aqui a cartilha manda que se diga que afinal tudo o que pediram ao benfica, nada foi conseguido. A nota de Manuel Mota, o filho do Adão, a carreira do querido. Tudo afinal teria ficado como estava. Os e-mails trocados, a forma "carinhosa" como os intervenientes se tratavam entre si, a veneração ao Senhor Primeiro-Ministro... não passou afinal de uma enorme cabala que montaram ao glorioso.
Choca-me ver programas seguidos sobre futebol onde os tais isentos tentem, com uma tal desespero que até dá pena, desmistificar, desenganar, desmontar o que não pode ser desmistificado, desenganado e desmontado. Eu, fervoroso sportinguista, cuja grande alegria seria ver o glorioso a jogar contra o Sporting B, vejo isto tudo de um modo mais sóbrio que essa malta toda avençada e encartilhada. Neste momento entendo que só se levantou a ponta do véu. Para já ainda só vimos o tornozelo e o ombro da donzela, falta ainda ver as ancas, as coxas e o peito. Espero que algo mais grave ainda seja anunciado numa destas terças-feiras, mas por enquanto o que temos é só para nos salivar. Mas temos. Qualquer pessoa minimamente isenta olharia para o que foi transmitido no Porto Canal e diria qualquer coisa como "Ok, vamos ver o resto então" ou "O que saiu é grave mas ainda é insuficiente, será que vem mais?". Mas não. A compilação que o Mestre de Cerimónias publicou (link1, link2, link3) no seu blog é o de umas tristes criaturas desesperadas a escavar o alcatrão com as unhas à espera de fazerem um buraco para se esconderem. Repito, não deviam condenar logo o benfica por o que foi divulgado, mas é de uma tamanha desfaçatez a campanha de branqueamento e desculpabilização que estão a fazer ao clube do povo.
Caso as pessoas não se lembrem, o Apito Dourado surgiu na mesma época em que o porto foi campeão europeu. Não vi nenhum jornalista dizer, por exemplo, que é absurdo pensar que o clube campeão europeu precisaria de pagar prostitutas a árbitros para ser campeão de Portugal. A célebre visita de Jacinto Paixão a casa de Pinto da Costa deu-se na véspera de um jogo de futebol onde o porto já era virtual campeão, pelo que, usando os argumentos da cartilha, tal não configuraria nenhum comportamento anormal.
Errado!
O porto, mesmo jogando mais e melhor cá dentro e lá fora, se aliciou árbitros com prostitutas, fruta da mercearia, talões de combustível do Pingo Doce ou vouchers, deveria ser condenado!
Se Jacinto Paixão pediu algum favor a Pinto da Costa, mesmo que daí não tenha havido benefício para o porto, também deveria ser condenado!
Como também deverá ser condenado o benfica caso se prove que o teor dos e-mails configura tráfico de influências ou outra ilicitude qualquer,
Como deveria ser condenado no caso dos vouchers, pois uma refeição voucher tem o mesmo valor do que uma prostituta, ou até mais valor, caso o corrompido seja celibatário.
Como Pedro Pereira Cristóvão foi condenado e bem por denúncia caluniosa e não por corrupção desportiva, como certos idiotas sugerem.
Porque em primeiro estão os princípios que regem uma sociedade moderna e o desporto em particular: o princípio da legalidade, da honestidade, da rectidão, da integridade, da honradez e da decência.