terça-feira, 21 de novembro de 2017

Bruno e o Dom Quixote

Os últimos dias tem sido uma defecação.
Quando pensamos que o futebol português bateu no fundo, eis que a realidade nos continua a surpreender. Continuam as lutas de bastidores entre Estado Lampiânico e Sistema, cada um chafurdando com mais avinco na podridão do nosso futebol. Qualquer adepto minimamente atento às notícias desportivas percebe a luta titânica em curso. São e-mails, cartilhas, diagramas, conversas, entrevistas. Tudo tresanda a putrefacção. 
Do Estado Lampiânico muito escrevi aqui, a que se juntaram outras tantas histórias entretanto descobertas e relatadas pela revista Sábado. O Piriquito, qual espécie voadora armada em ave de grande porte, transmitia dados financeiros sobre os clubes rivais do benfica aos seus amigos Pedro Guerra e André Ventura, enfatizando os temas que estes deveriam explorar nos seus programas de tortura com que nos vão brindando na televisão. Queixou-se o piriquito que nada daquilo era confidencial, mas por algum motivo ganhou vergonha na cara e pediu para sair. Usar a sua posição de acesso previlegiado à informação para "cuscuvilhar" a vida de outros clubes, pode não ser ilegal. Mas de certeza que não é ético. Hoje sabemos de onde é que Pedro Guerra foi buscar algumas das suas "informações" sobre as contas do Sporting, por exemplo. E sendo Pedro Guerra um mestre na arte de "rumorizar", nem quero imaginar que mais fontes e lacaios terá espalhado por esses gabinetes fora. Pedro Guerra, por muito que o queiram esconder, é mais do que um blogger ou paineleiro da nossa praça. É um funcionário do benfica. E um funcionário que tem utilizado reiteradamente esquemas sem ética para prejudicar a imagem dos adversários do benfica. Alguns dos quais ilegais. E criminais. Adiante.
Do lado do Sistema, é caso para dizer que a "besta" acordou. O que A BTV divulgou ontem sobre apitos dourados, braços armados e braços civis, não é novidade nenhuma. A única novidade foi como o Sistema se deixou ultrapassar nestes últimos anos pelos Talibans de Carnide. Longe vão os tempos em que benfica e porto iam de braço dado até à liga para escolher Luis Duque, ex-dirigente do Sporting contrário à actual direcção do clube, presidente da Liga de Clubes. Pinto da Costa lá terá acordado da sua longa hibernação e voltou a fazer aquilo que sempre fez nos últimos 30 anos: "mafiar". Pode não ter a sofisticação do EL, nem a sua enorme falange de activistas, mas tem a experiência de quem sabe onde estão as pontas certas para serem puxadas. E essas pontas são invarivelmente as mesmas de sempre: a arbitragem. Quem nomeia, quem observa, quem classifica. 
Entre a luta de titâs, está o Sporting. Bem que nos tentam puxar para a lama, dar holofotes mediáticos a ex-policias condenados ou a empresários de futebol sem escrúpulos. A última agora é o aparecimento de Pedro Madeira Rodrigues, que no meio desta guerra porto-benfica apressou-se a fazer o papel de palerma que sempre lhe coube, empurrando de novo o holofote para o local errado.
Tentar ser campeão no meio desta trampa toda, é um trabalho de Hércules. Conseguir ser campeão é um trabalho quixotesco. Só alguém muito puro no seu coração, um romântico, acredita ser possível ganhar-se alguma coisa contra o EL ou o Sistema. Só um Don Quixote aceita este papel de defensor intransigente dos valores desportivos, no contexto em que estamos. Mas ao contrário da personagem de Cervantes, este Don Quixote não pode continuar a perder o seu tempo a investir contra moinhos de vento. Não pode continuar a perder o seu tempo com discursos do "feitio de gaja" ou da "entrevista idiota". 
Se quer ser uma voz diferente no seio do nosso futebol, tem de primar pelo discurso diferenciador, por apontar o dedo à pouca vergonha que se tem passado nestes últimos dias. Não pode dar argumentos aos nossos inimigos para que estes nos apontem os holofotes, conseguindo assim manter os seus na penumbra. Para isso já bastam os palermas que de leão ao peito se agacham para fazer esse serviço. Mais foco, Bruno. Mais foco.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O momento: ponto de situação e próximo ciclo

Depois de mais uma paragem para os compromissos das selecções nacionais, eis que ontem se iniciou um novo ciclo de nove jogos seguidos, que se prolongará até 21 de Dezembro. Depois, mais futebol só em 2018.
São nove jogos em 5 semanas, o que dá uma média de quase dois jogos por semana. Parece mais um ciclo infernal de jogos, mas nem por isso. Um jogo foi para a Taça de Portugal e outros dois para a taça CTT. Os outros seis serão mais complicados, sendo que dois são da Liga dos Campeões e quatro para o Campeonato. Com todo o respeito para o Famalicão, que ontem fez uma belíssima figura em Alvalade, o jogo da Taça de Portugal não pode ser considerado complicado. E mesmo os dois jogos da taça CTT, um deles em Belém, também não podem ser encarados como se fossem jogos para o campeonato. Ou mesmo para a Taça de Portugal. Desejo apenas que o nosso treinador não resolva apostar nos titulares do costume e aproveite esses jogos para rodar a equipa e para dar minutos às nossas estrelas emergentes.
Ponto de situação: Estamos nos oitavos da Taça de Portugal, a Taça CTT está em aberto, na Liga dos Campeões ainda alimenamos a ténue esperança de passar aos oitavos, se bem que a Liga Europa pareça ser o futuro mais razoável da época europeia. Para o campeonato seguimos em segundo, a quatro pontos do lider. Empatámos três jogos em onze, marcámos 24 golos e sofremos 7. Temos o segundo melhor ataque e defesa da Liga. Estivémos muito bem em Guimarães, na Vila da Feira e em casa com o Chaves. Tivémos sorte nos jogos com Porto e Rio Ave. E cedemos empates inexplicáveis com o Braga e Moreirense. Estes quatro pontos (mal) perdidos acabam por ditar a actual diferença para o líder. Concluíndo, temos tudo em aberto nas quatro frentes em que lutamos. E o próximo ciclo será determinante em duas delas.
Começando já no próximo jogo, que será em casa com o Olympiakos. Uma vitória assegura-nos a Liga Europa, deixando a decisão da passagem aos oitavos da LC para o jogo em Barcelona, a 05/12. Um empate ou derrota diante dos gregos afasta-nos da LC e poderá comprometer a nossa passagem á Liga Europa. Com a paragem do campeonato, a recuperação física da maior parte dos jogadores deixa-nos quase na máxima força para o jogo de quarta-feira. Acredito que faremos um bom resultado, coroando uma exibição eficaz. Basta jogarmos ao nível dos outros quatro jogos que fizemos para a LC. Creio que chegará.
Para o campeonato, após um jogo que se antevê renhido com o Olympiacos, iremos a Paços de Ferreira. Os pacenses estão longe do fulgor de outras épocas e ocupam o 12.º lugar. É lidar com a ressaca europeia e jogar esse jogo com toda a garra e empenho desde o primeiro minuto. 
Depois de Paços de Ferreira iremos jogar duas vezes com o Belenenses no espaço de três dias. Primeiro em Belém, para a Taça CTT. Depois em casa para o campeonato. Este será talvez o jogo mais complicado para o campeonato neste ciclo. Os azuis estão em 7.º lugar e tem mostrado bom futebol neste início de época. O jogo antes para a taça CTT não me preocupa, pois duvido que JJ ponha os titulares nesse jogo. Preocupa-me mais o facto de jogarmos com o Barcelona cinco dias depois e os jogadores entrem em campo com a cabeça na Catalunha.
Na Catalunha, a 05/12, decidir-se-á o nosso futuro europeu. Se é a LC, a LE ou nada. Esta última hipótese poderá ter impacto negativo na cabeça dos jogadores, além de que os adeptos nunca aceitarão outro desaire como o da época passada. Mas partindo do princípio que as coisas correm bem e seguimos pela Europa, estaremos com a motivação em alta para jogarmos no Bessa contra o 9.º classificado Boavista e passado uma semana em Alvalade contra o 11.º Portimonense. O ciclo encerra a 21/12 quando jogarmos o último jogo da fase de grupos da CTT, contra o União. Salvo uma derrota em Belém, provavelmente iremos assegurar a nossa passagem às meias-finais da prova nesse jogo, disputado numa fase da época sem grandes pressões.
Assim, neste conjunto de jogos elegeria por ordem de importância já o próximo, contra o Olympiakos, face ao que pode condicionar na nossa presença europeia. O jogo em Paços de Ferreira, como no Bessa, serão também importantes pois virão nas ressacas europeias. Mas dentro de portas chateia-me mais o Belenenses. Aqui peço cabeça ao treinador para não queimar titulares no jogo antes da taça CTT. E cabeça aos jogadores para não pensarem no Barcelona. O Portimonense é - tem de ser!!! - para ganhar. E a taça de Liga... é a taça da liga. Se vier é bom. Se não vier... paciência.
Ah, e cruzar os dedos para não hajam (muitas) lesões até ao Natal!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ver o Campeonato por um canudo

Se ontem aos 70 minutos me dissessem o que iria acontecer nos 25 seguintes, não iria acreditar. Mas depois lembrava-me que isto é o Sporting e provavelmente aceitaria a profecia como certa. E foi.
Depois de onde jogo terrível em Vila do Conde, onde deveremos ter gasto o plafond de "sorte" para os próximos 10 anos, não estava nada à espera de empatar o jogo com o Braga. Ainda por cima um empate a lembrar um outro ocorrido há cerca de um ano, também em casa, frente ao Tondela, com a derrota a ser evitada mesmo ao cair do pano.
O jogo até prometia outra coisa diferente, tal foi a facilidade como na segunda parte nos íamos aproximando a área bracarense. A primeira parte, menos inspirada, foi rasgadinha, tendo as melhores oportunidades sido nossas. Após um jogo europeu, ainda por cima com algumas baixas importantes, não estava à espera de uma grande exibição do Sporting, mas estávamos a jogar o suficiente para merecermos o golo, que acabou por aparecer aos 66 minutos. O Braga, até então na segunda parte, tinha-se limitado a defender e a dar cacetada, salvo um único lance onde até acabou por marcar um golo mal anulado. A equipa bracarense vinha de um jogo europeu disputado três dias antes, pelo que não acreditava que ainda viesse a ter força para conseguir empurrar-nos nos minutos finais da partida... como acabou por empurrar.
Eu sei que uma partida de futebol tem 90 minutos, logo não estaria a ser justo se disser que o Braga mereceu ganhar pelo que fez nos últimos 20/25 minutos. Mas uma equipa, como a nossa, que entrega o jogo ao adversário como entregámos nessa fase crucial da partida, também não o merece ganhar. E diga-se, sem qualquer complexo, que não perdemos também por fruto de decisões erradas da arbitragem que nos beneficiaram, pois além do golo mal anulado, o penalti a nosso favor é precedido de falta clara de Doumbia. 
Mas aqueles últimos vinte e tal minutos é que foram o diabo. Muitos dirão que é fatal como o destino, não fosse isto o Sporting, quebrarmos no final dos jogos e transformarmos jogos controlados em derrotas quase certas. Pensava que este ano seria diferente, face à injecção de qualidade e experiência que o plantel levou. Voltámos a ver esse filme nos dois jogos contra a Juventus, e íamos vendo-o de novo na Grécia e em casa contra o Estoril. Mas que raio, Juventus é a Juventus e a competição é a Liga dos Campeões. Na Grécia e contra o Estoril íamos soçobrando à beira do fim, mas aguentámos e no final conta é o resultado. Ontem, diante um equipa que, repito, jogara numa competição europeia 3 dias antes, portanto com menos 2 dias de descanso que nós, não podíamos ter permitido a quebra física e mental na recta final. 
Dir-me-ão que tal se ficou a dever às lesões antes do jogo e daquelas que fatalmente nos surgiram ontem. Aceito o argumento, mas não chega. De que vale a pena ter Doumbia quando JJ prefere ter Bas Dost completamente estourado a arrastar-se na parte final dos jogos? De que vale termos Iuri Medeiros no plantel quando Acuña, que não pára há mais de um ano, continua a ser usado sistematicamente em todos os jogos, também em claro esforço? Porque é que temos Petrovic ou Palhinha no banco se quando a equipa quebra a meio-campo, o treinador está 15 minutos para a reforçar (ia meter Petrovic quando o Braga faz o empate)? De que serve termos Matheus Oliveira no banco, para nunca ser utilizado, e do outro lado o Fábio Martins entra e mexe de imediato com a dinâmica de uma equipa até então amorfa? E Alan Ruiz, para que serve mesmo? E voltando à lesão de Acuña, quando vale a aposta como o seu substituto será... Bruno César? De que vale a pena termos sequer "opções" quando temos sempre Bruno César?
Não adianta ter jogadores experientes ou de qualidade no plantel se o treinador se limita a utilizar apenas 12 ou 13 desses jogadores até à exaustão. Ristovski já podia ter sido utilizado há mais jogos, prevenindo uma lesão a Piscinni. André Pinto e Doumbia a mesma coisa. Gelson Martins e Bruno Fernandes já demonstram demasiada fadiga para esta fase da temporada (estamos em Novembro!!!). Será preciso pagar a clausula milionária de Pity Martinez para termos, finalmente, rotatividade na equipa?
Durante estes dois anos fui defensor do nosso actual treinador, pois considerei que a sua chegarda trouxe um upgrade à nossa equipa profissional de futebol. Mas pelo ordenado principesco que recebe, nesta altura esperava mais, muito mais. Vejo o Sporting acumular erros atrás de erros que na maior parte dos casos se devem à teimosia e casmurrice de Jorge Jesus. Tive esperança que o plantel equilibrado que construímos esta época pudesse tornar as coisas diferentes dos últimos dois anos mas, aqui chegados, concluo que não. 
O campeonato não está perdido, longe disso, mas a duas jornadas dos nossos rivais jogarem entre si, era muito importante não cedermos pontos, ainda por cima num jogo em casa. Não quero chegar a Maio e chorar pela perda destes dois pontos, como o fiz há duas épocas. Estou farto de entregar estes pontinhos de bandeja.

sábado, 28 de outubro de 2017

Sangue, suor e lágrimas... e a mão do São Patrício

É fatal como o destino. Numa prova de 34 jornadas, por muito bom futebol que a nossa equipa jogue, há sempre aqueles 3 ou 4 jogos que ganhamos sem saber bem como. Uns chamam-lhe "vaca", outros chamam-lhe "estrelinha de campeão". Foi assim há dois anos, quando, por exemplo, ganhamos em Arouca com 10 e um golo já no final. Hoje a história repetiu-se. E haveremos de ter mais jogos assim.
Não há como o negar, o Rio Ave foi melhor. Os jogadores correram mais, remataram mais, acertaram mais vezes na baliza. No meio campo a sensação que tenho é que ganharam-nos mais duelos e bolas divididas. Tiveram mais oportunidades de golo, permitindo ao Rui Patrício assinar (mais) uma noite de grande nível. E muito provavelmente, não fosse aquele falhanço inacreditável de Guedes, teriam com justiça levado os três pontos. Muita atenção a Miguel Cardoso, que começa a demonstrar ser um treinador muito interessante, após uma carreira como adjunto de Domingos e Paulo Fonseca.
A sensação que me deu é que até nem fizemos um mau jogo, o Rio Ave é que fez um jogo excelente. Da nossa parte tivemos os nossos méritos. Rui Patrício assinou uma exibição de luxo. André Pinto, apesar de chamado a frio para entrar em jogo, esteve à altura da sua missão. O resto da equipa, não sendo brilhante, batalhou, correu, respeitou o adversário. Não se limitou a vestir o fato de macaco. Deu o litro, carregou o piano e teve coração mesmo quando as pernas falhava. De tal modo que, apesar do grande jogo do Rio Ave, também não posso dizer que não merecêssemos o resultado final, pois o futebol também é feito de sofrimento, de dor, de reacção às adversidades e de uma pontinha de felicidade. Estas vitórias valem muito mais de 3 pontos, pela carga anímica que despejam na equipa. E os campeonatos também se decidem nestes jogos, onde conseguimos conquistar pontos mesmo sem jogar grande coisa.
Sinceramente não sei que onze teremos na terça-feira, contra a Juventus. Preferi mil vezes ganhar este jogo, como também preferia ganhar ao Moreirense, do que poupar-me para a CL. Parece inevitável não contar com Mathieu e Piccini. Veremos como estará Coentrão e o resto da equipa. É que depois da Juve recebemos o Braga. E o Braga é que é pra ganhar.
Nota final para a arbitragem. Jorge Sousa, na senda de Rui Costa, foi contemplativo com as cargas mais duras sobre os nossos jogadores, mostrando o primeiro amarelo a um dos nossos, por anti-jogo. Começa a ser um clássico dos nossos jogos: levarmos uma arraial de porrada até finalmente sair o primeiro amarelo, que começa sempre por um dos nossos. Em relação ao VAR, nada a apontar. Esteve bem ao anular o golo do Bruno Fernandes. No nosso golo, apesar da histeria que já se está a levantar nas redes sociais, parece-me claro que Bas Dost está em linha com o último defesa vila-condense. Esperemos pelos habilidosos do "photoshop" para vermos se o holandês estava ou não em fora do jogo, mesmo que milimetricamente. Adivinha-se uma semana de choradeira por aí.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O VAR actual e uma proposta para o futuro

Diz-nos a Lei de Murphy que, se algo puder correr mal, vai correr mal.
O passado domingo foi um bom exemplo da aplicação da Lei de Murphy à realidade. Na semana em que foram executadas buscas judiciais no estádio da Luz, ou em casa de dirigentes do benfica, no âmbito do processo dos emails, alguém achou que um dos árbitros envolvidos no caso - Nuno Almeida, o "ferrari vermelho" - era o mais indicado para arbitrar o jogo dos encarnados. O resto da história todos sabemos como acabou. Mal.
Mantendo a agulha virada para as leis epigramáticas, lembro-me da "navalha de Hanlon", que nos dizia para nunca atribuirmos à malícia o que poderia ser bem explicado pela estupidez. E como dizia Einstein, a estupidez não tem limites, ao contrário do Universo. 
Sobre o corte de comunicações ocorrido no jogo Aves-Benfica ou da decisão do árbitro Rui Costa no lance do penalti em Alvalade, não acrescentarei mais nada, pois tudo o que haveria para opinar já foi opinado. O que salta à vista dos olhos é que neste momento temos uma classe - os árbitros "profissionais" - que está descaradamente a boicotar uma medida imposta pela Liga de Clubes, que é a implementação do VAR. Só assim se explicam os apagões, os vazios, os cortes de comunicação, o "aguenta" para uns ou o silêncio para outros. Quando os árbitros, que deveriam ser os mais interessados em credibilizar esta ferramenta de apoio ao seu trabalho e dos colegas, são os primeiros a achincalha-la, está tudo dito quanto à sua intenção. 
Mas voltemos á epigramática, mais concretamente ao conhecidíssimo princípio de Peter. Disse-nos Lawrance J. Peter que todo o indivíduo tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Terão os árbitros que ocupam o actual quadro de árbitros profissionais atingido o seu nível de incompetência? Terá o actual estado do futebol português chegado ao um ponto onde Peter, Hanlon e Murphy se cruzaram, e onde chegamos facilmente à conclusão que os árbitros são incompetentes, que os seus actos se explicam pela sua incompetência e que por isso mesmo tudo o que fazem é desastroso?
É que antigamente havia a desculpa do momento. O jogador caía na área, o avançado desmarcava-se depressa, o defesa enfiava uma cotovelada ao adversário quando o "bandeirinha" estava de costas. Ou seja, o decisor só tinha uma oportunidade para visualizar o acontecimento, era ali ou nunca. Hoje não. E por isso estão os adeptos e os clubes cada vez mais fartos de quem nos apitar. Sejam eles estupidos ou maldosos.
Vem esta conversa toda a propósito da recente greve convocada pelos nossos árbitros. Que é que hoje há que não havia há um, dois, cinco ou dez anos atrás? Agressões? Check. Rumores de corrupção? Check. Dúvidas na atribuição de classificações? Check. Casos, comentadores e paineleiros? Check. O que mudou mesmo nestes últimos anos? Pois, a introdução do VAR. E lá vou eu outra vez à epigramática: "Não há almoços grátis". E está na hora destes nossos árbitros pagarem o seu "almoço" a quem os ofereceu no passado.
Neste momento, perante o boicote que se assiste ao VAR por parte dos árbitros, parece-me importante começar a pensar em alternativas ao modelo existente. E permitam-me que aqui, neste meu pequeno espaço, lance uma ideia: porque não pegar em antigos árbitros para fazerem de VAR? E porque não fazer equipas de dois ou três indivíduos como VAR? No primeiro caso, são pessoas que já não estão constrangidas pela avaliação do seu desempenho, como as notas dos observadores, pois o seu percurso já chegou ao fim. E digo antigos árbitros, porque temos muitos que continuam ligados à sua função, comentando as arbitragens na TV ou em jornais. No segundo caso, mais do que um decisor atrás do VAR, porque duas ou três cabeças pensam melhor que uma e quatro ou seis olhos veêm melhor que dois. E o erro dilui-se sempre quanto mais pessoas capazes estão a julgar.
Pensem nisto.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O pé frio e a cueca borrada de JJ

Não sei se isto é alguma dor de crescimento ou se é um simples mau perder. Mas fiquei fodido da minha vida com mais outra exibição onde "jogámos como nunca e perdemos como sempre". Sim, eu sei que Real Madrid, Dortmund, Barcelona, Chelsea e Juventus são tubarões e tal, muita fortes. Aqui há quatro/cinco anos atrás jogar contra eles na Champions era uma miragem e acabar o jogo sem ser cilindrado, como contra o Bayern, era muito bom. Mas está na altura dos sportinguistas exigirem um pouco mais. Como deixar de perder jogos nos minutos finais, em lances perfeitamente infantis. 
Que Jorge Jesus é um excelente treinador, não tenho dúvidas e sempre o defendi. Em 2015/16 não foi campeão no seu ano de estreia porque, como se lembrarão, a equipa campeã foi literalmente puxada para cima quando estava no fundo do poço. No ano passado a coisa correu mal, mas este ano, pelo menos até agora, a nossa prestação tem sido prometedora. Nos jogos para a Liga dos Campeões, Jesus tem posto a funcionar uma das suas principais virtudes: estuda bem a equipa adversária, explora as suas fraquezas e monta a equipa de forma a tirar o melhor partido do jogo. Foi assim no jogo de Madrid e de Dortmund, e foi assim ontem em Turim. Mas depois evidencia algo que começa a tornar-se uma característica sua nos jogos desta envergadura, que é a de não evitar o soçobrar da equipa nos minutos finais. JJ começa a lembrar aquele nosso amigo, bem parecido e bem falante, que quando sai à noite é incapaz de manter um diálogo com uma rapariga porque bloqueia... e tem azar com as miúdas. Um pé frio, portanto.
Chamem-lhe fado, destino, azar dos Távoras, whatever. Ontem, mais uma vez, JJ mostrou que "miúdas" (neste caso tubarões europeus) não é com ele. Começamos o jogo da melhor maneira, a marcar num lance em que - pasme-se!!! - tivémos sorte. Marcar golos de ressalto contra adversários desta dimensão, é obra. Depois veio a avalanche italiana. Basicamente fomos encostados, não conseguiamos sair a jogar, Rui Patrício ia adiando o empate, que acabou por chegar depois da meia-hora de jogo. A equipa aguentou a igualdade até ao intervalo, esperando-se uma segunda parte complicada para as nossas partes. Mas não, antes pelo contrário. O Sporting arrancou para a etapa complementar jogando o melhor que nos tem mostrado nesta prova. Dominou no meio-campo, fechou os espaços nas alas e foi lançando ataques que cheiravam a área da Juventus. É certo que não tivemos nenhuma oportunidade flagrante de golo, mas sentíamos que com um pouco mais de acerto e audácia, a coisa podia dar-se. O jogo começava a pedir Doumbia, a Juventus mostrava-se frágil à medida que William e Bataglia iam ganhando os confrontos no miolo. 
Foi então que JJ, quiçá escaldado por derrotas inglórias perto do fim, em vez de cavalgar para cima da Juventus em busca de uma vitória histórica, encolheu-se acagaçado, preferindo defender o empate. A cueca borrada do treinador valeu a estreia de Palhinha nestas andanças, para o lugar de um Gelson Martins que, não estando a fazer uma partida fulgorante, estava a ser uma peça importante na condução do jogo. A equipa ressentiu-se da falta de Gelson, perdendo algum fio de jogo e entregando o jogo à Juve, que ganhou forças para tentar o golpe final. O "pé frio" de JJ veio logo depois, quando decidiu retirar Fábio Coentrão por precaução (o desânimo do jogador parece indicar que ainda teria condições para acabar a partida), pondo no seu lugar Jonathan Silva, que desde a famosa "mão" em Gelsenkirchen aparece fatalmente ligado a desaires nossos na Champions. O jogador até entrou bem no jogo, com uma cavalgada até perto da área italiana, mas borrou a pintura pouco depois, quando permitiu o golo de Mandzukic. 
Não sei se o resultado seria diferente se JJ põe Doumbia no lugar de Gelson Martins. Doumbia, que até é um jogador de "pé quente" na Champions, acabou por protagonizar a melhor oportunidade de golo do Sporting na segunda parte, a fechar a partida (a reacção de Buffon ao falhanço diz tudo). Mas este foi (mais) um jogo onde tivemos "pés frios" a mais e audácia a menos. Não sei se em Alvalade a Juventus nos permitirá ter a veleidade de discutir o resultado do jogo até ao fim, mas parece-me que a oportunidade de ontem é daquelas que tão cedo não se repetirá. Agora é descer á terra, mandar as "vitórias morais" às urtigas e lamber as feridas, porque domingo vem aí um daqueles adversários chatos, que costumam comer a relva quando jogam contra nós. 
Chaves é para vencer, categoricamente.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A utópica ideia da "festa da taça"

Enquanto esperamos que a nossa selecção carimbe mais uma passagem à fase final de um Mundial, analisemos o actual estado do Sporting.
No campeonato, apesar do pessimismo endémico dos sportinguistas que se nota bem na blogosfera ou nas redes sociais, estamos na luta. É certo que perdemos uma boa oportunidade para nos isolarmos na frente, mas perante o estado físico com que nos apresentámos no último jogo, acabámos por fazer o resultado possível. Por vezes também é preciso ter esse tipo de discernimento, saber esperar pela altura certa, não correr riscos desvairados. Ter a maturidade suficiente para sabermos que há mais marés que marinheiros, e que se desperdiçámos a oportunidade no passado dia 01 de Outubro, outras mais surgirão no futuro. Basta que encaremos com o devido foco os Moreirenses deste campeonato, que chegará a altura em que passaremos para a frente. E de resto, como eu li algures por aí, o porto na sua melhor fase não conseguiu vencer o Sporting na sua pior fase e num pico de cansaço. O futuro é, se não risonho, pelo menos de esperança. 
Passados estes dias para esticar pernas e respirar fundo, eis que no dia 12 estaremos de volta, e logo na simpática vila de Oleiros, no centro do país. Esta partida ficou inicialmente marcada por mais uma investida do Estado Lampiânico sobre o nosso clube. Por razões que permanecem no mais profundo desconhecimento do comum dos mortais, na semana passada começou-se a falar num hipotético boicote do Sporting ao jogo da taça, devido à falta de condições do recinto onde o mesmo iria decorrer. De boicote ao jogo rapidamente se passou para um ataque aos habitantes de Oleiros perpetrado por essa entidade diabólica que é o nosso clube. Infelizmente para a cartilha, Bruno de carvalho saiu de forma airosa - diria mesmo que levado em ombros! - desta triste história. Não só revelou o prazer de ir jogar numa região do país geralmente arredada destes grandes palcos futebolísticos, como ainda ofereceu a receita do jogo aos bombeiros locais, sabendo-se que esta é uma zona sempre muito fustigada pelos incêndios florestais. E tanta coisa se escreveu sobre este jogo que se "esqueceu" que o Sporting será a única equipa a jogar "mesmo" no campo do seu adversário. O benfica, que deveria jogar em Olhão, vai afinal fazê-lo no Estádio do Algarve. Já o porto, em vez de Évora, jogará no confortável estádio do Restelo. O caso do benfica é compreensível, pois os estádio do Algarve é porto de Olhão. Já o porto....
A FPF quando teve a ideia de por as equipas primodivisionárias a jogar nestes campos secundários, fê-lo para ressuscitar aquela velha ideia da "festa da taça". Lembro-me perfeitamente, de nos anos 80 e 90, jogarmos em campos tão distantes e desconhecidos como em Porto Santo ou Ponte-de-Sôr, do benfica ir a Macedo de Cavaleiros ou o porto a Moura. As vilas do interior paravam quase uma semana para preparar a recepção aos grandes e os jogos decorriam sempre em clima de festa. Os campos de futebol, muitas das vezes ainda pelados, a forma aguerrida como os jogadores da casa se esforçavam nesses jogos, o apoio do público à equipa da sua terra, contribuiam para jogos empolgantes e emotivos, que não raramente terminavam com invasões de campo e com os jogadores levados em ombros pelo público em delírio. Os bilhetes custavam 100, 200, 500 escudos no máximo, fora as borlas que os porteiros davam sempre à miudagem e aquelas árvores em volta dos campos, onde em cada galho se sentavam mais 3 ou 4 espectadores. O negócio era coisa para os cafés e restaurantes da terra, porque o mais importante neste jogos era mesmo a festa do futebol.
Entretanto o futebol nacional foi perdendo esses resquícios de amadorismo e no final dos anos 90, mais do que a emoção do jogo, importava a parte do negócio e do lucro. Foi assim que também as equipas mais pequenas, em vez de aproveitarem as visitas de equipas grandes para fazer a "festa da taça", trocavam os seus pequenos campos "infernais" por estádios maiores, tendo em vista o lucro imediato da bilheteira ou a transmissão televisiva. O Lusitano de Évora prefere jogar a mais de 100 Km longe de casa e fazer um bom lucro, assim como o Vilafranquense também preferiu jogar contra nós no Estoril. Por outro lado, o actual estado profissional do nosso futebol não se compatibiliza com equipas grandes a jogar em pelados. Os campos, relvados ou sintécticos, tem de ter um mínimo de qualidade para assegurar que nenhum jogador fique em risco de contrair lesões por jogar ali.
Acho louvável a atitude da FPF de recuperar a "festa da taça", mas como se está a ver nesta eliminatória, tirando o Oleiros que receberá o adversário no seu estádio, há outros clubes que se estão a marimbar para a festa e querem é fazer o seu negócio. Ora, aqui a FPF terá de tirar as devidas ilações para o futuro, que creio que terão de ser as seguintes: os clubes pequenos terão obrigatoriamente de jogar no seu estádio contra as equipas grandes. Se esses estádios não tem condições para receber um jogo da taça (pergunto-me como conseguem jogar ali para o Campeonato Nacional de Séniores), então se calhar é melhor ponderar se não é preferível deixarmo-nos de utopias românticas, voltando ao figurino anterior. Pelo menos por enquanto.
E que no dia 12 de Outubro façamos do jogo em Oleiros uma enorme festa ao futebol. Se possível com uma grande exibição da nossa parte, coroada por uma vitória. A Juventus virá depois.